flor   OITO CÃES E UMA VIDA     /     Sinopse
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Dois meses antes do meu aniversário, disse a meu marido que gostaria muito de ter um chimpanzé. Ele procurou por todos os meios instruir-se de forma a prever o futuro e ver se essa ideia seria ou não viável. A conclusão foi que seria impossível ter um chimpanzé e viver em paz. Ele olhou o lindíssimo lustre que herdei de meus avós, pendurado no vestíbulo da nossa casa e imaginou o primata saltando do segundo andar, pendurar-se em tal antiguidade e cair esparramando cristais por todo o lado, enquanto morria sem saber porquê. Depois de muito pensar, chegou à conclusão que um cachorro iria, da mesma maneira, consolar os meus instintos maternais...

 Um dia, ao chegar do escritório, abro a porta da garagem que dava para a lavanderia e vejo no corredor em frente o cachorrinho Dálmata mais lindo do mundo. Logo em seguida vi pelos no chão. Viver com pelos ou sem? Mas eu já estava apaixonada... Tivemos dificuldade na escolha do nome. Nenhum de nós tinha a mínima experiência.

 Mas como essa pequena criatura cheirava mal!!! Os três, agora éramos três, dirigimo-nos até o pet shop. Compramos almofadas, toalhas, xampus, condicionadores, escovas, pasta de dentes com sabor de galinha, ração, biscoitos de treino, pratos para água e comida, livros de treino, livros sobre Dálmatas, etc. Parecia natal. Estávamos felizes. Chegando em casa, dei-lhe o primeiro banho. Meu marido deu-lhe de comer e assim foi por todos esses anos. 

 Um cachorro tão pequeno e ainda sem estar treinado, não foi fácil. Tinha dez semanas. A maior preocupação era que fizesse as necessidades nos tapetes. Não sabíamos o que fazer. Resolvemos deixá-lo no porão, que nesse momento estava em obras. Por toda a noite ele chorou sem parar. Tinha subido as escadas, e como ainda não sabia descer, ficou a noite inteira atrás da porta, no primeiro degrau. De coração partido jurei nunca mais repetir tal tortura, para ele e para nós.

 Uma semana depois deu o estalo: Bandid! Finalmente tinha nome. Tão oposto à sua personalidade bonachona para com os donos e amigos, mas feroz para outros animais. Quando o registramos na American Canine Association, seu nome passou a ser Bandid de Souza. Dava muito trabalho inventar um sobrenome canino. Bandid vinha de uma linhagem de 13 campeões em 4 gerações. Sem dúvida que ele era algo muito especial. Com três meses estava totalmente treinado. 

 Se a minha casa sempre foi um lugar de paz e tranquilidade, o Bandid parecia ter trazido ainda mais. As pessoas não se dão conta como um animal doméstico pode proporcionar calma em momentos de estresse. Por isso há tantos programas com cães especialmente treinados que visitam asilos, lares e hospitais infantis ou da terceira idade para praticar o que se chama terapia animal. Um simples carinho a um cão pode fazer baixar a pressão sanguínea. Um sorriso provocado por um cão alivia a tristeza.

Nas palavras de Beverly Pisano no livro Dalmatians: “Não há dinheiro que pague o amor, lealdade e amizade do Dálmata. Uma vez que você adquiriu amor e devoção daquele cachorrinho pintado, você aprenderá novas formas de amizade, compreensão e companheirismo através dos anos em que ele viver a seu lado”.

 Tendo convivido diariamente com um deles por quase quinze anos, sei o quanto essas palavras são verdadeiras. Ouvi pessoas dizerem que os Dálmatas não são inteligentes. Como estão enganados! O Dálmata é um cão inteligentíssimo. Por vezes sentimos que ele é parte da família, não como cão, mas como pessoa. Por serem muito brincalhões dão a impressão de serem estabanados e imprudentes, mas isso é parte do seu charme.